terça-feira, 19 de junho de 2012

A VINGANÇA DE CRISTIANO


A VINGANÇA DE CRISTIANO

                                                                       Holanda, 1 X Portugal, 2

Como rajada de vento
Reavivando o sonho ufano
Surgiu forte de sotavento
A vingança de Cristiano.

                                               Furacão de cor laranja
Em mecânico contratempo
Pôs a nossa alma em franja
Como rajada de vento.

Se o destino marca a hora
Matando qualquer tirano
Foi-se a magia embora
Reavivando o sonho ufano.

O Príncipe adormecido
Acordou neste momento
Não se dando por vencido
Surgiu forte de sotavento.

Com dois toques de magia
Reavivando o lusitano
Impôs justiça e acalmia
A vingança de Cristiano.

Frassino Machado
In RODA VIVA

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segunda-feira, 18 de junho de 2012

ACRÓSTICO DA SAUDADE



        ELVIRA DE CAMPOS MACHADO

                 (Minha mãe, que partiu
                  aos meus oito anos)

             Elvira, suave é o teu nome,
             Lindo, puro e tão musical,
             Vem saciar a minha fome
              Infinita e sobrenatural,
             Rosa de fogo e de verdade
             Amor que brota eternidade.

             Dentro deste meu coração
             Envolvido em plena emoção,

             Campos de infinito horizonte
             Abertos no anilado céu
             Mar límpido da minha fronte
             Pensamento amplo sem labéu.
             Olhos teus de safira e luar
             Saudade imensa a palpitar.

             Meigo que era o teu coração,
             Antes mesmo do sol brilhar
             Como era belo o teu cantar!
             Hoje, qual pura recordação
             Abrindo-me a vida sorrindo,
             Dou comigo sempre fruindo
             O esplendor da tua visão!


             Frassino Machado
             In CANÇÃO DA TERRA
             N. B. Ver, por favor, os Sites:


domingo, 10 de junho de 2012

APELO A CAMÕES


APELO A CAMÕES

No dia do Portugal, 0 x Alemanha, 1

Ó admirável poeta que nasceste
Nesta Pátria de eventos mais de mil
Na qual foste o maior, mesmo servil,
E onde, apesar de tudo, tu venceste.

Entre aventuras árduas que passaste
Num país turbulento e muito hostil,
Deste prova cabal e senhoril
Em garbosas lições que nos deixaste.

Pelo digno apelidoTrinca Fortes
Possamos conquistar mil e uma sortes
De forma que obtenhamos resultados.

Que os “Velhos do Restelo” se acabem
Unindo a sua voz aos que já sabem
Que ao ter louros seremos respeitados!

Frassino Machado
In MUSA VIAJANTE

N. B. Ver os seguintes Sites:


CONFISSÃO DE FILINTO (A propósito de Bocage)

                                                  Filinto Elísio (1734-1819)



A  BOCAGE


Lendo os teus versos, numeroso Elmano,
E o não-vulgar conceito e a feliz frase,
Disse entre mim: "Depõe, Filinto, a lira,
Já velha, já cansada;

Que este mancebo vem tomar-te os louros
Ganhados com teu canto na áurea quadra
Em que ao bom Córidon, a Elpino, a Alfeno
Aplaudia Ulisseia."

Rouca hoje e sem alento a minha Clio
Não troa sons altivos, arrojados:
Vai pedestre soltando em frouxo metro
Desleixadas cantigas.

Desceu Apolo e o coro das Donzelas
À morada de Elmano; e esse que, outrora,
Canto nos dava nome, o pôs na boca
De novo amado cisne.

Filinto Elíseo

terça-feira, 5 de junho de 2012

UMA CHÁVENA DE ILUSÃO


      
                         

           Portugal, 1 X Turquia, 3


Em toda e qualquer transacção 
Numa certa medida impera
Uma chávena de ilusão
Com sua face de quimera.

Em bons negócios tentadores
E sem nada de protecção
Agitam-se os consumidores
Em toda e qualquer transacção.

Em cada dia se constata
Uma famigerada espera
Ora mingua, ora dilata, 
E em certa medida impera. 

No desporto como na vida
Quer a solo ou em multidão
Há uma vaidade enriquecida
Numa chávena de ilusão.

Não adianta fazer alarde
Com ídolo que se venera
Revelar-se-á cedo ou tarde
Com sua face de quimera.

Em Catedral de canapé
Tomando angustiado chá
Gira a bola de pé em pé
Buscando o Graal que não há.

Escuta, ó diva Selecção,
Não voltes a ser cata-vento
Troca esse chá de presunção
E põe cá fora o teu talento!

Frassino Machado
             In RODA VIVA 


Ver Site CANTO DE FRASSINO em:


www.frassinomachado.net                

sábado, 2 de junho de 2012

SEMPRE CRIANÇA


                                                                              
                                                                                     
                                                                          
Nasceste criança
Num berço encantado
Sorriste em bonança
Por teres alcançado
Teu sonho dourado
Em ruim contradança.

Cresceste saudável
Nos braços da sorte
História agradável
Voltada p’ ro norte
Não vás em desnorte
Para seres notável.

Na tua aventura
Em busca do pão
Exige fartura
Àqueles que to dão
Em prol da razão
E da mãe Cultura.

Não esqueças porém
De quem não tem mesa
Precisam também
De alguma riqueza
E nesta certeza
Terás sempre o bem.

Aqui nesta terra
Nada há que se veja
Mas se o mal impera
Em quem não deseja
Não tenhas inveja
E afasta essa guerra.

Pela tua andança
Nunca te admires
Da falta de ‘sprança
E paz p’ ra fruíres.
Tu, meu arco-íris,
És sempre criança!

Frassino Machado
In JANELAS DA ALMA

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ABEL DA CUNHA - Poeta Vimaranense


ABEL DA CUNHA – Poeta vimaranense

Nota biográfica -

Abel Machado da Cunha é natural de Guimarães, Portugal, onde nasceu em 1940. 
É licenciado em Filosofia, pela Universidade do Porto, e diplomado em Música, pela Yamaha Music Foundation. Foi professor de Psicossociologia e Pedagogia na ETSSP do Porto e director pedagógico no âmbito das actividades musicais da YMF em Portugal. Nesta última condição foi director e redactor da revista de animação cultural Notas de Música.
Durante um certo tempo, dedicou-se à crítica literária em revistas portuguesas e no jornal A Voz. De referir alguns artigos sobre Raul Brandão e sobre o teatro de João Pedro de Andrade.
As influências poéticas principais derivam sobretudo da poesia francesa dos fins do século XIX, principalmente do Simbolismo, e da poesia espanhola do modernismo. Importante foi o estudo da cultura clássica greco-latina e medieval, o conhecimento dos Trovadores portugueses, desde D. Dinis, e da grande tradição da poesia portuguesa. Dos nossos poetas modernos importa referir todo o compêndio da obra de Fernando Pessoa. 


ALGUNS POEMAS

ENIGMA

Folha de papel. Um corpo nu e virgem.
Estendido tentador que se oferece
Nas areias brancas. Nela se descrevem
Todas as palavras para ver-lhe a face.

Uma dura esfinge cálida aparece.
É um alto enigma. Mostra a sua imagem.
Cada viandante passa ao lado e tece
O sentido das palavras na viagem.

Folha de papel. Hieróglifos fatais
Desenhados no deserto pelo vento.
As palavras da esfinge ficarão

Pelo tempo repetidas aos mortais.
Quantos pés tens tu movendo o pensamento?
Serão quatro ou dois ou três? Quantos serão?

Abel da Cunha

*

DANÇA DAS HORAS

As horas num vaivém em contratempo
O mesmo ciclo dançam noite e dia;
Os pés rebatem ritmos de folia
Enquanto valsa lento o pensamento.

A vida, João de Deus, é uma nuvem
Que voa alto e ninguém alcança;
Levamos pela mão uma criança
Sempre a sorrir aos sonhos que lhe fogem.

Quantas canções de esperança entoei!
Quantos momentos foram adornados
De engano e fantasia! E sonhei...

Da vida tenho inteira consciência.
Mas do bem e do mal e dos meus fados
Que falem outros sobre a minha ausência.

                                     Abel da Cunha
*

ÀS VEZES

Ao poeta Frassino Machado
 
Às vezes entre os versos nascem flores:
violetas, lírios, cravos, açucenas,...
Esqueço pressuroso as duras penas
que a vida é festa cheia de fulgores.

Doce espumante of'reço aos meus amores
em brindes de memórias muito breves
enquanto o vinho em altas taças leves
intenso e puro ferve as suas cores.

Que ricas são as rimas nesses dias!
Num cofre guardo as raras fantasias
cativas pela arte imaginada.

Colhendo as flores ficam sombras frias
a refletir as pétalas tardias
que teimam a boiar à tona da água.

                               Abel da Cunha

*

AO PORTUGAL DESCONHECIDO
  
                       Ao Ricardo de Saavedra


Em Guimarães podia ler o berço
de Portugal escrito nas muralhas.
Cumpriu mil sonhos. Foram maravilhas
dum heroísmo que já não conheço.

A vida do seu povo teve um preço
que resgatou em sangue nas batalhas.
Mas hoje só navega em barcas velhas
sem força de revolta ou recomeço.

A capital do reino foi Lisboa.
Camões morreu. Morreu também Pessoa.
A língua portuguesa era uma vez...

De meio mundo herdado em Tordesilhas
apenas resta um prato de lentilhas.
E o nosso rei agora fala inglês.

                                     Abel da Cunha

***

N. B.  Ver também o Site do autor:

terça-feira, 29 de maio de 2012

ISTO É QUE VAI UM SISTEMA!



 «CABECINHA PENSADORA»

    O Sistema que fruímos
    É apenas libertário
    Já que todos nos servimos
    Do mesmo receituário.

    Receituário só quem quer
    E ninguém tem devaneio
    Seja homem ou mulher
    Todos gostam do alheio.

    Em qualquer ocasião
    Nunca há impedimentos
    A justiça não tem mão
    E outorga benzimentos.

    Se um dolo é insignificante
    Aqui d’ el rei qu’ há gatunos
    Mas se for estimulante
    Cai na graça dos tribunos.

    Neste País venturoso
    Não se vê graça em ninguém
    Mas o que é mais gostoso
    São as “pessoas de bem”.

    Se não fosse esta verdade
    No sistema libertário
    Não haveria liberdade,
    ‘Staria o mundo ao contrário.

    Alertai-vos cidadãos
    Destas tristes realidades
    Tomai o arado nas mãos
    E não queirais veleidades.

    Não há bem que nunca acabe
    Nem há mal que sempre dure
    A Crise vai, quem não sabe,
    E o diabo que a ature.

    Assim vai um tal Sistema
    Destes encantos tamanhos
    Mudará, por nossa pena,
    Para um outro com mais ganhos.

    Há-de vir sorte e vintém,
    A Tróica já prometeu,
    Afinal tudo vai bem
    E o bom do burro sou eu…

    Quem tem culpa? – eis o dilema –
    O povo chora a carpir,
    Morre solteiro o Sistema
    Sem ninguém pr’ a lh’ acudir!

    Frassino Machado
    In GLOSAS & BANDARILHAS
   
    N. B. Ver também, por favor, os Sites:
https://facebook.com/pages/tertulia-poetica-ao-encontro-de-bocage/129017903900018

segunda-feira, 7 de maio de 2012

CULTURA MERCANTIL



     Soa por todo o lado a tromba do rebate
     E na larga avenida passam pregoeiros
     Que sugam os tostões aos cegos caminheiros
     Morrendo desta sorte toda a ingénua arte.

     E não há por aí quem regule ou descarte
     A exploração e o triste vício dos vezeiros
     Que conspurcam incautos átrios e terreiros
     Sacando da riqueza alheia a melhor parte.

     Não tratem de invocar a Tróica sempre em vão
     Que os cidadãos já não partilham ilusão
     Muito menos se deixam ir e enrolar.

     Também Judas comprou os dividendos seus
     Com trinta moedas aos sovinas fariseus
     Culminando a traição fazendo-se enforcar!

     Frassino Machado
     In MUSA VIAJANTE

                                        N. B.  Ver também, por favor, os Sites:
                                        http://facebook.com/atelierpoetico.frassino
                                        www.frassinomachado.net

terça-feira, 24 de abril de 2012

O SANTINHO MILAGREIRO



Homenagem a Sto. António
 
Onde é que vamos parar,
Ó Portugal verdadeiro,
A tróica quer contratar
O Santinho milagreiro.

O Santinho lisboeta,
Como será natural,
Não cairá nessa treta
Por amor a Portugal.

Apesar de milagreiro
Tem muito mais que fazer
Do que andar o tempo inteiro
Na mira de enriquecer.

Se a tróica o quer contratar
P´ra milagres à maneira
Será melhor procurar
A Santinha da Ladeira.

Não é nenhum desprimor
A tróica recontratar
P´ro Santinho é um favor
E a Santa fica a lucrar.


O nosso Santo, porém,
Não nega ser milagreiro
Mas reserva, como convém,
Dar-se ao povo por inteiro.

O Santinho goza a vida
Com ares de brincalhão
Milagres só na avenida
P´ra contentar o povão.

Ó Santinho, nosso amigo,
Não te deixes contratar
Todos nós ‘stamos contigo
Manda a tróica passear!

Frassino Machado
In MUSA VIAJANTE
N. B. Ver, por favor, os Sites ATELIER POÉTICO e CANTO DE FRASSINO, respectivamente em:


ÀS VEZES



                                     Ao poeta Frassino Machado

Às vezes entre os versos nascem flores:
Violetas, lírios, cravos, açucenas...
Esqueço pressuroso as duras penas
Que a vida é festa cheia de fulgores.

Doce espumante of' reço aos meus amores
Em brindes de memórias muito breves
Enquanto o vinho em altas taças leves
Intenso e puro ferve as suas cores.

Que ricas são as rimas nesses dias!
Num cofre guardo as raras fantasias
Cativas pela arte imaginada.

Colhendo as flores ficam sombras frias
A refletir as pétalas tardias
Que teimam a boiar à tona da água.


Abel da Cunha


Ver Site



domingo, 25 de março de 2012

FIA-TE NA VIRGEM ...

O desnorte tem seu custo

            Olhanense,0 x S. L. e Benfica, 0

Nos estranhos meandros desta vida
Em tristes labirintos desgastados
Urge repor os sonhos apostados
Numa forte energia renascida.

Cada hora que passa é esquecida
A orla marginal dos negros fados
Que no seu todo ficam relaxados
Na ambição humana enfraquecida.

Os heróis de ontem sempre temerários
Apostam na cegueira da vitória
Esquecendo os eventos perdulários.

O fim desta odisseia tão inglória
Reforça desta forma os adversários
Sem tempo p’ ra rezar uma oratória.

Frassino Machado
                                               In RODA VIVA

terça-feira, 20 de março de 2012

O LEÃO DEPENADO


Gil Vicente  2  x  Sporting  0 
Moral da História: ganhar e perder tudo é desporto!

O LEAO DEPENADO

Foi o Leão até Barcelos
P’ ra saborear seu galo
Caindo em desmazelos
Veio de lá depenado.

C’ a sua juba garbosa
De coroa nos cabelos
De Lisboa com gasosa
Foi o Leão até Barcelos.

Com tempo primaveril
De cantilena em gargalo
Não ‘squecendo o caril
P’ ra saborear seu galo.

Foi p’ ra verde capoeira
De fatiota e chinelos
Manuseou a cabeleira 
Caindo em desmazelos.

Depois da sesta entrementes
Saltou-lhe p’ ra cima o galo
Com duas bicadas valentes
Veio de lá depenado.

Queixa-se agora, coitado,
Nas barbas do anfitrião
Que vergonha ser roubado
Tão prestigioso Leão!

Frassino Machado
In RODA VIVA

*
N. B.  Nos tempos que correm nada melhor que um "epigrama humorístico" para celebrar o DIA DA POESIA ! O poetAmigo Frassino Machado