terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

TUDO É POESIA


Tudo na Vida é poesia
Nem é preciso rimar
Co´ emoção e energia
É só mesmo versejar.

De palavras se faz rima
De versos se faz poema
Com sadia auto-estima
Não há lugar pra dilema.

Desta vida a circunstância
Dá o corpo ao manifesto
Não há tempo nem distância
Cada poema é um pretexto.

Minha letra tem mensagem
Tem dentro e fora também
Sou um romeiro em viagem
Com a alma em vai-e-vem.

Toda a gente que me lê
Fica sempre questionando
Este poeta, bem se vê,
Enfrenta a vida sonhando.

Mesmo na vida discreta
Há um sentido profundo
Para o sonho do poeta
Há todo o tempo do mundo.

Tem poesia e distinção
O que a Natureza contém
Com muito maior razão
Há no sonho maior bem.

Não há poeta sem evento
Nem mensagem sem ternura
Com o sonho há sempre tempo
Para uma nova aventura.

A música dos meus versos
Tem um toque de harmonia
Andam livres e dispersos
Como as horas do meu dia.

Ó musa da minha Lira,
Quero que cantes, enfim,
Que à Poesia ninguém tira
Os versos que saem de mim!

Frassino Machado
In ODISSEIA DA ALMA

LEITOR EQUIVOCADO


                                  “Réplica a um certo leitor”

“Ó Praxe, bendita Praxe,
Praxe da minha paixão
És para mim um relaxe
Dona do meu coração!”

Esta quadra que versejei
E só depois desenvolvi
A um leitor, pelo que sei,
A sua mente surpreendi.

Fez-se um leitor equivocado
Fazendo grande confusão
Entendeu conteúdo errado
E deu-lhe outra interpretação.

Esta trova que eu compus
Nada tem de reaccionária
É um poema cheio de luz
Acerca da praxe usuária.

Não há conteúdo a esconder
E muito menos embrulhado
Mas há um fenómeno a reter:
Há sempre quem leia apressado.

Onde é que está a nostalgia
Que o mesmo leitor suspeitou?
Quem é que não tem alergia
Ao velho tempo que passou?

O tema é muito delicado,
De uma humana sensibilidade,
Mas nunca estará mascarado
Pois é uma pura realidade!

Há quem no olho do vizinho
Veja sempre mísero argueiro
E põe a vida em desalinho
Com miopia de fraco olheiro!

Frassino Machado
In ODIRONIAS


domingo, 2 de fevereiro de 2014

TROVAS DA PRAXE ARDENTE



Ó Praxe, bendita Praxe,
Praxe da minha paixão
És para mim um relaxe
Dona do meu coração.

Todos te odeiam, é certo,
Se o dizem logo te invejam
Andam longe mas estão perto
Pois, no fundo, te desejam.

Hoje não vou à lição
Que para mim é um açoite
Pra preparar a sessão
Não durmo nada de noite.

Há duas semanas a fio
Eu estou a preparar-te
Para mim é um desafio
O integrar-me com arte.

Eu bem sei que sou caloira
E caloiro tu és também
Antes numa manjedoira
Do que nas saias da mãe.

Para ser bom estudante
Com saudável estatuto
Há que dar nome sonante
A este nosso Instituto.

Há muitas praxes por aí
Todas elas têm valor
A nossa pelo que ouvi
É de todas a maior.

Somos amigos, colegas,
Nada haverá que temer
De peito aberto às refregas
Temos genica e prazer. 

Nada há de humilhação
Neste jogo tão sincero
Mas há, sim, superação
Para qualquer destempero.

Se houver riscos, certamente
Não há nada que espantar
Está na hora de ser gente
Aprendendo a triunfar.

Sois caloiros, nós veteranos,
Ninguém pense em disparate
Temos disto muitos anos
Num currículo de combate.

Esta vida estudantil
Não pode ser catavento
Precisa de ser viril
Com praxes d´ imolamento.

Juntemos aos rituais
O útil e o agradável
No campus ou nos quintais
Serás sempre responsável.

Haver praxe é tradição
Ninguém pode contrapor
Nunca falta animação
E há espectáculo de primor.

Reforcemos nossa história
Com ousadas emoções
Faz justiça com memória
E enriquece as gerações.

Com um tal arrazoado
De um ilustre condutor
Há prestígio assegurado
Para o Ensino Superior.

Ó Praxe, bendita Praxe,
Praxe da minha paixão
És para mim um relaxe
Dona do meu coração!

Frassino Machado
In RODA-VIVA POESIA

https://facebook.com/tertulia-poetica-ao-encontro-de-bocage/129017903900018

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

LIBERDADE ESCRAVIZADA


«A Saga do Homo Economicus»

                                               “Réplica a
Catarina Pinto Bastos”

Tantos séculos em luta
Por um sentido pra vida
Na mais sublime disputa
De liberdade repartida…

A essência primordial
Do ser humano pensante
É o desejo estrutural
De se tornar dominante.

Dominar e ser distinto,
Dos outros seres animais,
Satisfez o seu instinto
Entre os pares desiguais.

Do caminho a percorrer,
Quer no tempo quer na idade,
Precisou de convencer
Conquistando a liberdade.

Liberdade fez-se Lei
Que lhe deu dominação
E da vida se fez rei
Com a espada da razão.

Da ambição fez valor
E da energia a firmeza
Do orbe acordou senhor
P´ lo controle da riqueza.

Ao tê-la não quer mais nada,
Faz-se mesmo sedutor,
Em liberdade escravizada
Para ter poder maior.

Cada dia vai passando
Neste estranho horizonte
E a riqueza acumulando
No suor de cada fronte.

Da riqueza fez poder
Ela é mesmo a sua essência
Liberdade a acontecer
Só se for na dependência.

Tem poder quem tem dinheiro,
Mesmo sendo a menor parte,
E a lei desta vem primeiro
Porque a outra não tem arte.

Sem arte e sem condição
Aos quatro ventos da sorte
Para ganhar o seu pão
Fica escravo até à morte.

Onde mora a Liberdade,
Não me dizes viandante?
Quanto mais tenho saudade
Mais ela mora distante!

Frassino Machado
In ODISSEIA DA ALMA


A NOSTALGIA DO POETA



Vivo além do meu país
Numa ampla dimensão
Agrilhoado e infeliz
Com um vazio no coração.

Ando exilado entre gente
Pelas pedras da calçada
Sem passado nem presente
À espera da madrugada.

Não sei se ria ou se chore
Já esqueci esta verdade
Pedi ao coração que implore
A razão da ambiguidade.

Cai a chuva e passa o vento
Estou cansado da aventura
Nesta dor só me lamento
Pela vida de amargura.

Não sei se é barco ou canoa
Ou caravela à deriva
Dentro de mim desboroa
Uma tristeza cativa.

Quando parti de viagem
Com sonhos me diverti
                           Levava em minha bagagem
Uma esperança que perdi.

Busco encontrar um sentido
Para esta encruzilhada
Tenho o coração perdido
À borda da minha estrada.

Ó Musa do meu espanto
Que me puseste em dilema
Regressa com teu encanto
E traz-me um novo poema!

Frassino Machado
In ODISSEIA DA ALMA


terça-feira, 28 de janeiro de 2014

AINDA O NATAL


                               Mote de Miguel Cadavadas”

Um nascer como todos os nasceres
Rei Divino de todos os divinos
Mulher por entre todas as mulheres
Deus Menino de todos os meninos.

O homem-ser pelo seu deambular
Sonhando ser o rei de todos os seres
Reencontra como mistério singular
Um nascer como todos os nasceres.

Em Belém de Judá a sua estrela
Descobre num presépio entre bovinos
Recém-nascido pobre, coisa bela,
Rei Divino de todos os divinos.

Ao pé d´ Ele José, homem de bem,
Fez toda a sua oferta de prazeres
Escolhendo para Ele a santa mãe
Mulher por entre todas as mulheres.

Da cáfila selvagem os Reis Magos
Entre mensagens, cantando hinos,
Veneraram com prendas e afagos
Deus Menino de todos os meninos.

Ó homem, que caminhas entre perigos
E não tens uma estrela condutora,
Afinal, sendo um rei entre mendigos,
Tens essa Luz em ti a toda a hora!

Frassino Machado
                In JANELAS DA ALMA
                        
                www.frassinomachado.com
                http://facebook.com/frassinom


quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

A GEA MÃE



Tão formosa, ó divina Gea maternal!
De ti nasceram as excelsas dimensões
E em ti brotam as desumanas condições
Que dão sentido à estranha vida natural…

O horizonte que te protege é magistral
As estrelas e o sol são tuas criações
Em ti viajam as distintas estações
E os dias e as noites de forma tão igual.

Por ti correm as águas dos rios e dos mares
De ti se faz colheita a fruta dos pomares
Num clamoroso hino ao verde das colinas.

Mas já se vão desnorteando as razões
E as trevas miseráveis das cruéis paixões
Secam na vida humana as crenças peregrinas…

Onde está, ó Gea Mãe, a tua qualidade
E onde habitam as virtudes genuínas
Dos filhos de Adão sem alma nem idade?

O tempora, o mores, quem reconstrói tuas ruínas? 

Frassino Machado
In JANELAS DA ALMA


REI POSTO



                                              “Cristiano, Bota de Ouro”


Há uma semana o rei morreu
A sua morte foi um desgosto
Mas nossa fé não esmoreceu
Pois que “pra rei morto, rei posto”.

Portugal é um país pequeno
A cultura assim o entendeu
Mas com entristecido aceno
Há uma semana o rei morreu.

Pantera Negra foi um rei
De uma só fé e de um só rosto
Pela saudade que fez lei
A sua morte foi  um desgosto.

Fez conquista da “bola de ouro”
Seu esforço bem o mereceu
É certo, perdeu-se um tesouro,
Mas nossa fé não esmoreceu.

Floriu uma outra revelação
Sem ninguém fazer contragosto
Com justiça houve coroação
Pois que “pra rei morto, rei posto”.

No mundo Ronaldo é lição
De um carácter a toda a prova
É um modelo pra Selecção
Pois mesmo perdendo se renova.

Qual herói para as multidões
Todo o mundo sua arte desfruta
Por entre um mar de emoções
É sempre um exemplo de conduta.

Duas botas de cor dourada
Fizeram dele um bom freguês
Dizendo o povo à desgarrada
“Nunca há duas sem haver três”!... 

Frassino Machado
In MUSA DOS ESTÁDIOS