quinta-feira, 11 de abril de 2013

BARREIRAS DO SER



                                                                       A uma amiga
De circunstância


Chamaste-me desaparecido
Talvez pela minha ausência
A ausência de ente querido
É do amor a pura essência.

Uma presença constante
Gera sempre vã rutina
Com amizade pujante
É qu´ o amor se determina.

Estar junto a ti sem ´stória
Acabaria esquecido,
Acabrunhado e sem glória.

Antes pois desaparecido,
Mas com certeza em memória,
Eis-me assim reconhecido!

Frassino Machado
In AO CORRER DA PENA

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sexta-feira, 5 de abril de 2013

APRESENTAÇÃO LITERÁRIA - Frassino Machado




Tenho o prazer de informar que acaba de ser publicado – em primeira edição – a obra deste autor, poeta e cantor, que ora se apresenta e se divulga em primeira instância com o nome de MENSAGEIRO CANTANTE.
O seu título original era simplesmente “Cancioneiro” mas, devido à grande profusão de obras com o mesmo nome, não só em Portugal como no estrangeiro, ponderei e optei por substituir este título pelo que agora apresento.
Os textos que o integram, na sua totalidade, destinam-se a serem cantados, a solo ou em grupo, e transmitem mensagens que se pretendem valorizem o sentido da vida e da convivência social, em todas as camadas etárias. Daí o significado do título que ostenta.
É minha intenção editar, em tempo oportuno, uma outra publicação com o mesmo nome em que seja dado realce às partituras musicais.
Desejo que este livro venha a constituir um incentivo e um contributo decisivo para um desejável desanuviamento da convivência entre as pessoas, numa época tão conturbada como a que hoje vivemos.
Para informações acerca da aquisição desta obra aqui deixo expressos os endereços mais aconselháveis. O honorário que proponho integra o custo do envio por correio para o endereço que me for indicado.
Assim passo a aconselhar utilização dos seguintes itens:
- Nome da pessoa em nome de quem deve ser feito o envio;
- Endereço correcto da morada para onde devo enviar;
- Para pedir encomenda: utilizar o endereço de e-mail aqui divulgado.
- Esclarecimentos sobre a Obra e o preço: solicitar pelo envio de mensagem privada, inserta neste “site pessoal”.


INTRODUÇÃO

Esta antologia de canções e de baladas começou a ser organizada na passagem do presente Milénio – já lá vão doze anos a fio – e foi a concretização de um sonho vivido desde a infância.
A sequência de textos foi estruturada de forma cronológica e derivou espontaneamente da evolução experiencial e da localização geográfica da altura. Assim, ao longo da minha vida, estas canções foram compostas no seguimento de eventos socioculturais nos quais eu fui sujeito actuante, quer nascidas da necessidade de tornar estas experiências mais aliciantes e motivadoras quer surgindo como complemento e apoio de actividades didácticas ou pedagógicas ao longo do meu magistério como professor e educador.
        Todos os textos são direccionados para o canto quer a solo ou, preferencialmente, destinadas a solo e coro, e foram compostos, com excepção de cerca de uma dezena deles pertencentes a outros autores, seleccionados para se enquadrarem no contexto desta obra literária e artística tendo obviamente música de minha autoria.
        Como o nome sugere, na base de cada um dos textos, encontra-se implícita uma determinada mensagem, na qual a forma de canto visa dar uma força estética mais profunda e enriquecedora.
Algumas destas canções foram escritas e compostas, tendo em vista a sua inserção em festivais de juventude que, no passado, ajudei a organizar e a dinamizar.
Por outro lado quero referir que, durante vários anos, muitas destas canções foram interpretadas por um grupo de jovens da Escola onde leccionei a disciplina de História, denominado GRUPO BOA ESPERANÇA, que se apresentou a público no âmbito da “Expo 98”, tendo resultado dessa experiência a gravação do CD «El Rei Dom João II».
        Não deixo de destacar, nesta primeira edição, o nome de dois companheiros de jornada que partilharam, desde os seus inícios, estas realizações. Trata-se do poeta Miguel Santos, mais conhecido por Cadavadas, e do insigne professor de filosofia e literatura que foi o Dr. Frei Adelino Pereira, meu mestre de escrita poética, a quem presto homenagem dedicando à sua memória este Mensageiro.

Frassino Machado
Para CONTACTOS :  machadofrassino@gmail.com

quinta-feira, 4 de abril de 2013

OS FARISEUS DA NOVA ERA



- Pela calçada da Cidade deambulavam
Dois preclaros e nobres Juízes do Pretório
E sobre eventos bem recentes dialogavam...

- Os tempos correm mal no seio das famílias,
Não há concórdia acerca de algo meritório
E cada dia nascem mais e mais quezílias.

- Ademais, nos Direitos estamos conversados.
E, na Moral, já lá não vai com homilias...
Pois, na verdade, os actuais tempos ´stão mudados.

- Nas velhas Tradições tudo era mais correcto...
E, enquanto os mais idosos eram respeitados,
Nas sãs Instituições tudo era mui discreto...

- Olhemos, pois, ao que se passa nas escolas:
Cumprir ou não cumprir é justo e sempre certo
E os próprios Mestres consideram-se farsolas.

- Ora, aí está. Faz falta a velha Autoridade
E, enquanto as convivências dão em festarolas,
Toda a vulgar mentira é hoje uma verdade...

- Por falar nisso, vamos ver de nossos Pares.
Já há uns tempos p’ ra cá qu’ os quatro não nos vemos…
Vamos ao Fórum, pois lá temos outros ares!

- Encontraram-se os quatro Juízes no Palácio
Tendo em mãos um Processo ruim pelos seus termos,
Processo delicado, logo em seu prefácio.

- Matéria em causa de violência educativa:
Famosa educadora um miúdo castigou,
Utilizando, assim, medida correctiva.

- A Instância primeira arguiu e decretou,
Contra ela, em feroz lição valorativa,
Uma “pena de Repreensão” que espantou!

- A Tetrarquia mor de Juízes convocada,
Acácio, Bonifácio, Horácio e Pancrácio,
Expôs-se diante desta “pena” reclamada...

- À luz claríssima da humana realidade,
Fez choque com a anterior deliberatio,
Dando razão ao que usou agressividade.

- O juiz Acácio apela para a formação,
O Bonifácio acha justas as palmadas,
Pancrácio e Horácio prestam jus à dura mão.

- Agora, no País, consciências revoltadas
Esqueceram, por certo, o móbil da agressão
Deixando as almas pobres mais fragilizadas.

- Seguiram a estratégia in dubio pro reo,
Não ponderando alternativas mais coerentes,
Que desde sempre qualquer Lei enobreceu.

- Até o Titular da causa destas gentes,
Podendo aproveitar o exemplo que não deu,
Teria limpo, e bem, aquelas velhas mentes...

- Provou a todos que nesta Causa é inocente,
Dando a entender que era do Estado a competência,
Sem castigos de corpo e com olhar clemente.

- Como Pilatos, desta forma, as mãos lavou
Sem banir para sempre a incauta violência
Nada prevendo quantas guerras semeou!?

Frassino Machado
In LIRAS DO MEU CANTO

quinta-feira, 21 de março de 2013

ÁRVORE POEMA



                                       Ao “Dia Mundial
                                       Da Árvore e da Poesia”

Tu és o meu tesouro e poesia,
Tu és o doce canto da beleza,
Em ti se encerra a alma e a firmeza
Que faz do Universo uma harmonia.

Tu és a vida, o fruto e a riqueza,
Por ti transita a seiva e a empatia
Que faz brotar o sopro da energia
Nos seres mais comuns da Natureza.

Paraíso das aves e dos ninhos,
És o porto dos prazeres e carinhos,
Primavera de aromas e alfazema…

Tu, ó árvore que um dia replantei
No meu quintal de sonhos que criei,
És, com certeza, o meu melhor Poema!

Frassino Machado
In AO CORRER DA PENA

quarta-feira, 20 de março de 2013

EM NOME DO PAI



                                       Dia do pai

Já lá vai distante o tempo,
Daquele tempo que se vai,
De um nome lançado ao vento
Num homem chamado pai.

Vive oculta a circunstância,
Não há dinheiro qu´ o leve,
Tão segura é a importância
Que o sentir filial descreve.

Ser um pai é uma aventura
Neste mundo tão banal
Num filho sempre perdura
A memória paternal.

- Toma, filho, mais uns trocos,
Não quero que te falte nada,
Pois esta vida de loucos
´Stá cada vez mais tramada.

- Ó pai, tu és um bacano,
Jamais te irei esquecer,
Se não for hoje é p´ ró ano,
Como tu hei-de vencer!

- Um pai nunca é eterno,
Qualquer filho o saberá,
Para um futuro sereno
Prepara o teu amanhã!

- Não quero que faltes, ó pai,
És o único entre os seres,
Teu nome em mim sobressai
Se um dia cá não estiveres!

Frassino Machado
In JANELAS DA ALMA

terça-feira, 12 de março de 2013

HABEMUS HOMO



Elite eclesial terrena,
Resguardada a sete chaves,
Cento e quinze Cardeais
De currículos maiorais,
Deslindam os seus entraves
Dando cor à Cidade Eterna.

Um deles será escolhido
Que de todos herdará
A cadeira Petronina,
No coração da Sistina,
P´ ra governar amanhã
Este Reino pervertido.

Sopro celeste dourado
Descerá àquele trono
E vai por certo escolher
Quem ficará co´ o prazer
De se tornar feliz dono
Deste Reino afortunado.

Saindo do branco fumo
Em cerimónia pomposa
Num Conclave perfeito
De predestinado Eleito
Proclamará voz ditosa:
Urbi et Orbi, Habemus Homo!

Frassino Machado
In JANELAS DA ALMA

quinta-feira, 7 de março de 2013

O CARISMA DA LIDERANÇA



                                             “À memória de
                                    Hugo Chavez”

Nos mais imprevisíveis terrenos humanos
E nos mais díspares horizontes sociais
O carisma de um líder nunca é demais
Para que toda a crença não enfrente danos.

Há lugares comuns e há muitos desenganos
Em toda a vida humana de elos bem fatais
Insertos cada dia, em poses triviais,
Por tristes argumentos de servis marçanos.

As humanas virtudes que estes reivindicam
Nos que procuram a injustiça contornar
Ao olharem-se ao espelho logo petrificam…

As lideranças puras estão por inventar
E os carismas perfeitos por vezes claudicam
Mas há homens que nascem para acreditar.

É lamentável ignorar-se que só ficam
Na história humana as boas-obras praticadas
E nas mentes banais os joios e os nadas!

Frassino Machado
In JANELAS DA ALMA

https://facebook.com/pages/tertulia-poetica-ao-encontro-de-bocage/129017903900018 

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

SERENATA



Uma guitarra antiga nos penedos
Tangida por Virgílio ou por Horácio
Em ritmo de balada. Ágeis dedos
A repicar nas doze cordas de aço.

Cantavam como Hilários! Arremedos
Em tom bemol com um vibrato lasso
Até que a Aurora viesse manhã cedo
Render a lua branca no espaço.

Os trovador’s chegavam da Lamela
Dos Gémeos do Brasil de Bugalhós
Da Bouça Riba d’Ave…  A sua voz

Batia suavemente nas janelas.
E a porta já sem trinco ou fechadura
Abria-se à saudade e à ternura.


Abel da Cunha

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

NA EIRA



Há quanto tempo o milho está na eira!
Depois das estações não anda o rodo
A resguardar no alpendre o ouro todo
No fim de tanta tarde soalheira?  

Já não se ergue o malho. A canseira
Não segue regular o velho modo
Em que o suor se vê em cada poro
Como a água fluindo na regueira.  

Já não há espigas nem morrão nem barbas
Nem milho rei das noites desfolhadas
Ao som dos beijos e da concertina.  

Nem desce da colina o bom moleiro
Que vem trocar os grãos do meu celeiro
Pela brancura fina da farinha.    


Abel da Cunha

www.abelmachadocunha.blogspot.pt

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

PORTUGAL TRAMADO



Quão miserável é esta difícil trama
Sem conhecermos nós quem nos crucificou
Apenas só sabemos que s´ acrescentou
À nossa vida este colossal fantasma.

Cada dia que passa agrava-se o programa:
O trabalho que havia, esse desertou,
O dinheiro, já pouco, no bolso minguou,
Vai-nos faltando o pão e a saúde reclama…

Embora digam os ilustres maiorais
Que o sol há-de romper neste céu enevoado
O fim desta crise não mostra dar sinais.

Apenas se constata o ânimo arrasado
De todas as mulheres e homens nacionais
Em todo o Portugal à beira-mar tramado!

Frassino Machado
In JANELAS DA ALMA

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

COLUMBA PACIS



Como ave costumeira em cidadela
De larga actividade mercantil
Vagueia indeciso mas gentil
Grisalho pombo, esbelto e sem courela.

Rodopiando a meus pés com fiel cautela,
Num gesto de feição primaveril,
Logrou vencer a fome sempre hostil
Matando-a nesta rara escapadela.

Um pouco do meu pão a contragosto
Deslizou pelo chão em pressuposto
Entrando na garganta deste pombo.

Mil vidas sonharão igual magia
P´ la procura da paz e da harmonia
No carisma que tem este Colombo.

Se houver justa razão em cada dia
Sirva esta Natureza por empatia
Num ganho colectivo em desassombro.

Frassino Machado
In RODAVIVA

BALADA DA SAUDADE



Esta balada que canto
Todo o dia a cada hora
Já se foi de mim embora
Acompanhada de espanto
E enfeitada de encanto.
Foi meu amor visitar
Numa noite de luar
Ficou comigo a saudade
E com ela esta verdade
Que faz Frassino cantar.

Um dia hei-de partir
No abrir da madrugada
Levando ao longo da estrada
Um cajado e um sorrir
P´ ra com todos repartir.
Se meu amor acordar
Ouvirá este cantar
A bater à sua porta
Se não abrir não importa
Irei de novo voltar.

Meu cantar de trovador
Meu gesto, minha canção,
Saiu do meu coração
Para buscar meu amor
E desfazer esta dor.
Cada dia ao renascer
Outra balada a crescer
Será mais uma esperança
Em todo o verso que dança
Nesta forma de viver…

Amor que me tens refém
Neste horizonte perdido
Faz-me encontrar o sentido
Que me leve a minha mãe
Pois não tenho mais ninguém.
E se ouvires a voz do vento
Busca nele algum alento
Acompanhando este fado
Que me traz acorrentado
E para mim é tormento.

Frassino Machado,
In JANELAS DA ALMA

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