quarta-feira, 17 de maio de 2017

FLOR DE NOSTALGIA





Abrótea da minha terra, 

Terna flor de nostalgia,

Em ti a saudade encerra

Toda a minha fantasia.



Memória da minha andança

Pelas vertentes da serra

Lembra o tempo de criança,

Abrótea da minha terra.



Minha mãe ao monte subiu

A colher uma abrótea esguia

Deu-me a mais branca e sorriu,

Terna flor de nostalgia.



De um sentimento materno

Qu´ esta minh´ alma desterra,

Abrótea, um amor eterno

Em ti a saudade encerra.



Clara manhã de pascoela

E branco mês de Maria,

Fiz de balada singela

Toda a minha fantasia.



Minhas flores de primavera

Abróteas e brancas giestas

Ó saudade, quem me dera

Assear o caminho nas festas.



Minha montanha sagrada,

Vale das abróteas de Orfeu, 

Ó minha oração rezada

Por quem já tenho no céu. 





Frassino Machado

In ODISSEIA DA ALMA








quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

NAMORO WI-FI






«No Dia dos Namorados»

Aqui está o admirável mundo novo
O mundo da oportuna relação,
Tem espírito Wi-Fi, mas sem estorvo,
Este Namoro fora de convenção.

É sempre fácil a sua instalação,
Se houver percalço logo haverá renovo,
Sua divisa é a fonte da emoção
Na alma sempre cheia como um ovo.

É curta a duração no seu processo
Não é namoro, é apenas um andar
Tão só por entre gente, num acesso
Que tem seu tempo pra se revelar.

Estranha forma de viver e de sentir,
Sinal dos tempos e estranha liberdade
Que não ganha raiz nem tem porvir
Mas é o fruto cabal da pós-verdade…

Namoro wi-fi, ao modo de São Valentim
Ah, isso não … Só se correr o marfim!

Frassino Machado
In OS FILHOS DA ESPERANÇA